DOR
Queimação divina
não requer mais explicação,
a cura apenas.
De cima para baixo,
ondas começo a sentir nervosas,
como pontiagudos seres
atravessando, por debaixo, o tapete.
À medida que a corredeira passa,
do cume vinda, lega espinhos infindáveis,
mas, quem sabe, esquecíveis,
se muita a sorte for.
Esse rio extenso, de cólera que está,
já tão alastrado, se equilibra
ora em um ponto, mas ora em outro.
Só, tornado está seu peso,
como qual um elefante,
que, neste momento que vos presto,
em vinte postos se resvala.
Cruel enraizada começou
há cinco invernos, discretamente,
no íntimo. Há pequenos alardes, se
pôs a esquecer-se e de problemas não
era mais, por tanto.
Quando os cristais de gelo voltaram,
tenebrosamente metamorfoseados,
sempre estavam , por todos os atos,
enraivecidos.
Grita-me! Grita-me!
Se acabada fosse,
fortuna que eu previ,
o respaldo não passaria a ser
campo de batalha primordial.
É de tanto que por ele passam os cavalos,
como as lanças se fincam,
que não cicatriza o sangue,
qual por coágulos, há muito, pede.
O novo sol é prêmio,
na esperança de que melhore
montuosos monstros, quais são
postos para renovada questão.
E a medicina branca que
os conteúdos re-arrume,
prometendo a felicidade de
um Próprio Corpo.
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